quarta-feira, 25 de abril de 2018

DÓRIA CONSEGUIU SAIR DE OUTSIDER LIBERAL PARA TUCANO RAIZ


Logo quando saiu o nome do empresário João Dória como candidato pelo PSDB para a prefeitura de São Paulo, e observando sua campanha confesso que vi suas ações com os clichês populistas que estamos acostumados a ver, uma campanha caricata, digna daqueles filmes que retratam os políticos de forma pejorativa.

Tomar café no mercado, beijar criança na praça, comer pastel de feira, tudo isso me fazia crer que ali estava a manutenção do establishment da política tradicional, mesmo ele ironicamente bradando em seus discursos que ali não estava um político, mas sim um gestor que se denominava um “antipolítico”, um outsider, que traduzindo é aquele que não se enquadra a determinado padrão e que determina seu próprio estilo.

Ironicamente diziam isso dele mesmo estando dentro de um partido tradicional e com políticos profissionais, que vivem do dinheiro público a vida inteira.

Acompanhei o desenrolar da campanha cético com a relação a possibilidade do tal “antipolítico” ganhar, difícil cravar se Dória ganharia onde nem mesmo dentro do PSDB ele era unanimidade, porém ele não só ganhou como foi em primeiro turno, comprovando todo o favoritismo do PSDB na capital paulista.

Elogiei as primeiras medidas do seu governo, João Dória assumiu e colocou o seu lado gestor em ação, cheio de compromissos, metas, prazos, uma gestão que naquele momento enchia os olhos pela inovação, designando muito do que estava engessado na gestão pública passando para a iniciativa privada resolver, como aconteceu com a fila de espera por exames médicos e a criação da Secretaria Municipal de Desestatização e Parcerias, que o objetivo era a venda ou concessão de imóveis, veículos e espaços que pertenciam à prefeitura mas que eram subutilizados e exigiam grandes custos de manutenção. Uma gestão digna de muitos elogios.

Dória também começou a visitar as repartições de surpresa para ver como estavam funcionando, isso tudo em poucos meses de mandato. Ali surgia um novo modelo político que o fizeram até pensar em se candidatar presidente em 2018, isso com apenas 1 ano de mandato como prefeito.

Foi aí que começou a desandar a gestão, com cada vez maior a especulação da possibilidade de João Dória ser o nome do PSDB ao Planalto, o prefeito começou a viajar pelo país para avalizar seu nome e se tornar mais conhecido pelo interior do país, daí abandonou a prefeitura deixando a cargo do vice todas as demandas da maior cidade da América Latina.

Agora o martelo foi batido, Dória será mesmo candidato ao Governo de São Paulo, já se contradizendo antes de começar a campanha quando na época que assumiu a prefeitura disse que cumpriria todo o mandato de prefeito e não tentaria a reeleição. E cá estamos nós, em menos de 2 anos com o tal "gestor-antipolítico".

Em recente pesquisa, João Dória aparece na liderança da disputa ao governo, e isso se dá principalmente por dois motivos. 

1- SP ama o PSDB.

2 - Não tem adversário. 

Dória foi eleito com um discurso bastante liberal, a favor do empreendedorismo, porém com a caneta na mão começou a regular os aplicativos de transporte criando uma série de restrições aos motoristas e determinou também cobrança de impostos para serviços de streaming, como Netflix e Spotify, com argumentos dignos de um político canastrão, frustrando quem votou nele acreditando na desburocratização da cidade.

A nova política de João Dória anunciada no inicio do mandato não durou, se transformou naquele mais do mesmo que estamos acostumados e que tem por todo o país. Dória se apequenou tanto que não consegue agradar a direita, a esquerda, liberais e muito menos o PSDB.

Talvez Dória seja mesmo um outsider, só que em não agradar ninguém.

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