terça-feira, 4 de abril de 2017

QUANDO RENAN PERCEBEU, JÁ ERA 2018


Quem acompanha política sabe que quando se encerra uma campanha já se inicia a seguinte, estamos vivendo esse looping cada vez mais cedo, e não de dois em dois anos, como tem que ser.

Nesse meio tempo quem tem demorado nas articulações por incrível que pareça é o Senador Renan Calheiros, sempre tão atento e antecipado nas ações, e que em 2018 buscará seu quarto mandato no Senado Federal. O cenário que se forma é um pouco mais complexo do que o Ex-Presidente do Senado está acostumado a visualizar, talvez e/ou até principalmente pela iminência da operação Lava Jato estando cada vez mais no seu encalço, contribuindo ainda mais no desgaste da sua imagem, e com seus adversários cada vez mais bem preparados que demonstram não ter medo do embate com o todo poderoso Senador.

Voltando um pouco no tempo, na sua última reeleição, Renan Calheiros já não era uma unanimidade no Estado. Em 2010, Renan ficou em segundo, perdendo para o então - dançante - deputado federal Benedito de Lira, mas por serem duas vagas ao senado conseguiu se reeleger. Na época Renan tinha seu nome bastante desgastado quando renunciou a Presidência do Senado em 2007 para não perder o mandato, bombardeado por diversas denúncias. 

Em 2014 Renan articulou de cabo a rabo toda a campanha que elegeu seu filho Governador do Estado, mas articulou nos bastidores, não apareceu em nenhum momento da campanha como o poderoso Presidente do Senado, Renan Filho tentou ao máximo se desvincular do pai, mesmo levando seu nome.

Agora para esse ano "pré-eleição" a estratégia tem sido outra, Renan Calheiros tem buscado suas bases como sempre fez, mas investe mais em seu nome. Nunca é demais citar o nome do Senador nas conquistas de emendas parlamentares e inaugurações de obras que vem acontecendo vez ou outra, seu filho Governador tem insistido bastante nos últimos tempos em alavancar o nome de seu pai como primordial nas conquistas de seu governo, fazendo frequentes aparições em solenidades, o que era impensável até pouco tempo.

O desafio para Renan Calheiros será administrar duas campanhas complexas, a sua e a de seu filho. Quando em 2014 Renan Filho disputou e venceu Benedito de Lira para o Governo do Estado, Renan Calheiros estava na metade do seu atual mandato o que o possibilitou manter foco total na bem sucedida empreitada que levou seu grupo ao Palácio dos Martírios.

Gosto muito de uma frase do jornalista Ricardo Mota de quando Renan Calheiros venceu a eleição para a Presidência do Senado em 2013:

"Renan Calheiros conhece os sonhos e descaminhos de cada um, e é a eles a quem vai servir... Sua vitória pode assim ser traduzida: pior para o Senado, melhor para os senadores."

Sendo assim, o mais difícil mesmo para Renan Calheiros, por incrível que pareça, será ganhar a eleição, porque depois que lá dentro ele estiver, saberá jogar como ninguém as cartas de seus pares.

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