domingo, 13 de julho de 2014

RIO LARGO: DE CIDADE OPERÁRIA À CIDADE DORMITÓRIO


Rio Largo completa hoje 99 anos de sua Emancipação Política. Fazendo uma analogia com fisiologia humana, a cidade teve uma juventude saudável, rica, forte, pulsante. Digna de um jovem promissor na sua flor da idade. A cidade foi berço do período industrial em Alagoas, referência até para outros estados brasileiros com sua indústria Têxtil sob a batuta do Comendador Teixeira Basto e seu genro Gustavo Paiva, essa industrialização trouxe desenvolvimento para a cidade.

Rio Largo tinha cultura, educação de qualidade, serviço hospitalar digno para seus munícipes, respeito para com todos. Era referência de um tempo próspero que trazia orgulho de se dizer rio-larguense.

Como nem tudo são flores, a cidade também sofria com seus problemas pontuais da época, além da crise do algodão - que movimentada a cidade com a Companhia Alagoana de Fiação e Tecido (CAFT), mas principalmente com as enchentes do rio que batiza a cidade que assombraram/assombram seu povo, a mais recente em 2010, onde a cidade ainda se recupera em passos de formiga.

Rio Largo, igualmente a um ser vivo, foi envelhecendo junto com sua idade, hoje chega aos 99 anos, caquética e abandonada, sem perspectivas e apenas com um passado que ainda sustenta boas lembranças do tempo que a levava a superar até a Capital alagoana, Maceió.

Hoje a cidade conta com 10 Vereadores (6  de fora da cidade), um Prefeito e uma Vice que estão rompidos politicamente e diversos escândalos que faz com que seus conterrâneos mais ilustres se contorçam no túmulo. Na prefeitura em dois anos teve um revezamento de três prefeitos no comando, um jogando a culpa no outro todos os problemas crônicos e já enraizados.

Se Alagoas é o estado mais violento do Brasil, Rio Largo é a cidade mais violenta de Alagoas. Álcool, drogas, prostituição, roubos, violência e mais violência, tudo que não existia até não muito tempo (não nessa intensidade, pelos menos) hoje faz parte da rotina daquela cidade que até um tempo desses era referência em tudo que fazia de bom.

Rio Largo era uma das terras mais promissoras de Alagoas e entrou num retrocesso sem fim. A quarta maior cidade do estado, vizinha de muro com a capital Maceió, não consegue hoje nem ser considerada uma cidade dormitório. Consegue-se passar por ela sem nem notar, sem apreciar alguma virtude própria.

É uma pena que viver do passado não sustente o presente. Muito menos o futuro. 
Assista:


Quer saber mais sobre a história de Rio Largo? Indico o Livro "Rio Largo: Cidade Operária" e o Documentário "O Comendador do Povo". 

5 comentários:

  1. Rio Largo sente orgulho de seu passado. Vamos buscar no exemplo de seus benfeitores as forças para trazer de volta a prosperidade do município.

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  2. Torço diariamente por isso, meu caro. Forte abraço!

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Alexandre Kogen. Gostaria de conhecer o seu trabalho.

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