segunda-feira, 22 de abril de 2013

COMENDADOR TEIXEIRA BASTO

Por Arnaldo Paiva

À exceção do cearense Delmiro Gouveia, fundador da fábrica da Pedra, da Companhia Agro-Fabril Mercantil, no sertão alagoano, muito pouco ou quase nada se escreveu  a respeito dos capitães da indústria têxtil em Alagoas, como, por exemplo, José Antonio de Mendonça, barão de Jaraguá, pioneiro da indústria têxtil em nosso Estado e também em nosso País; o comendador José Antônio Teixeira Basto, cuja biografia será tratada neste ensaio, e seu genro Gustavo Pinto Guedes de Paiva, um dos precursores da assistência social no território nacional.
Comendador Teixeira Basto - Foto: Arquivo de familia

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José Antonio Teixeira Basto, português de Cabeceiras de Basto, nasceu em 26 de abril de 1857. Apesar de sua origem lusitana, residiu no Brasil durante meio século, dos quais 33 (trinta e três) anos na capital alagoana.

Um dos fundadores e também um dos principais acionistas da fábrica de Cachoeira, de Rio Largo, foi diretor daquele parque fabril a partir de 30 de janeiro de 1891, quando passou a integrar a segunda diretoria  daquela fábrica, ao lado do doutor Propício Pedroso Barreto e Cel. Antonio da Silva Rego (substituído, em 30 de novembro de 1892, pelo suplente major Ildefonso Lopes de Ferreira Omena).

O êxito apresentado pelo empreendimento animou os acionistas, resolvendo grande parte deles, associados a outros  investidores, capitaneados pelo Comendador Teixeira Basto, a constituírem uma nova sociedade anônima com a denominação de Companhia Progresso Alagoano, também com sede em Maceió, mas com sua unidade fabril construída um pouco adiante da fábrica Cachoeira, em local mais elevado às margens do Rio Mundaú, com o objetivo de fiar e tecer algodão de cores e prontos de malha.

Começou a funcionar três anos depois de sua instalação, em novembro de 1895, sendo a primeira diretoria composta pelo comendador José Antonio Teixeira Basto, diretor tesoureiro; Propício Pedroso Barreto, diretor técnico; e Manuel Balthazar Pereira Diégues Junior, diretor secretário.

FAMÍLIA
Gerou sete filhos, oriundos de dois casamentos: o primeiro com Emilia de Oliveira Basto, do qual nasceu a filha Leonor e o segundo com a irmã da sua primeira esposa, ambas suas sobrinhas, de nome Umbelina Teixeira Basto, a saber: Aristheu, Julieta, Judith, Romeu, Amadeu e Antonieta. Seus outros filhos.

EMPREENDEDOR
Desde que assumiu a direção das mencionadas empresas, fundidas, anos após a sua morte de acordo com as resoluções tomadas em Assembléias Gerais de Acionistas datadas de 17, 24, 25 de março de 1924, sob a mesma denominação de Companhia Alagoana de Fiação e Tecidos (CAFT), o comendador Teixeira Basto foi deputado pelos seus pares para reger os destinos de Cachoeira pelo resto de sua vida.

Tornou-se desde então, o eixo das administrações posteriores, que conduzia concomitantemente a outras atividades, entre as quais o de diretor da firma Teixeira Basto & Cia., com seus armazéns sediados na rua do comercio, em Maceió, uma secção bancária com a representação de vários bancos nacionais e estrangeiros; acionista majoritário da Companhia Alagoana de Trilhos Urbanos (CATU); acionista da Companhia de Força e Luz de Maceió e do Banco Norte do Brasil, além de ocupar cargos de destaque, como por exemplo, o primeiro presidente da Junta Comercial do Estado de Alagoas, nomeado por ato do Governador Gabino Besouro, datado de 18 de agosto de 1893.

Segundo o professor e escritor João Azevedo, a sua liderança entre os comerciantes da época era tanta que as lojas do comercio de Maceió somente abriam suas portas quando ele fazia.

RELATO DE PEDRO JACINTO
Em conversa com o ex-combatente da 2ª Guerra Mundial e ex-vereador do município de Rio Largo, Pedro Jacinto da Silva, já falecido, natural de Mata Grande, porém radicado em Rio Largo desde 1945, inicialmente trabalhando como enfermeiro da CAFT durante 25 anos, no Departamento de Saúde e posteriormente, como encarregado no setor de faturamento daquela empresa, que também era um profundo conhecedor da história do Município, contou-me que estaria enraizado entre o povo a tradição de que o nome Rio Largo teria sido ideia do Comendador Teixeira Basto, quando ao ver pela primeira vez aquele trecho  do Mundaú onde está situado a cidade, em viagem de trem, integrando uma comissão de "gente importante", teria exclamado: "Vejam, senhores, que rio largo!"

RECONHECIMENTO E PRÊMIOS PARA AS FÁBRICAS
Foram nas gestões do Comendador Teixeira Basto, ao lado de homens empreendedores como o doutor Propício Pedroso Barreto, o comendador Américo de Almeida Guimarães, o comendador Luis Jardim Gomes Braga, o comendador José Teixeira Machado (também proprietário da fábrica de tecidos de Fernão Velho, adquirida em 1891 dos herdeiros do barão de Jaraguá e demais fundadores), doutores José Rippol, José Januário de Carvalho, Manuel Balthazar Pereira Diégues Junior entre outros nomes de igual envergadura, que a Companhia Alagoana de Fiação e Tecidos (CAFT) firmou-se no cenário nacional e internacional, como se pode constatar através dos prêmios conferidos às fábricas Cachoeira e Progresso na Exposição Nacional de 1908 realizada no Rio de Janeiro e na Exposição da Indústria e do trabalho, em Turim, na Itália, no ano de 1911 nas quais aquelas indústrias têxteis receberam diplomas de medalha de ouro pela qualidade de seus produtos.

PIONEIRISMO NA SEGURIDADE SOCIAL
É de sua iniciativa a primeira proposta de proteção ao trabalhador vítima de acidente de trabalho que se tem  conhecimento na história das fábricas de tecidos em Alagoas quando na Assembléia Geral de Acionistas da CAFT em 16 de outubro de 1912, propôs a criação de um fundo de beneficência para socorrer  os operários que se tornassem inválidos com tempo igual ou superior a dez anos de serviços naquelas empresas.

MORTE E HOMENAGEM
Faleceu em Maceió, em 5 de outubro de 1918, aos 61 anos de idade, após padecer de uma breve enfermidade, deixando como herdeira de sua imensa fortuna a viúva Umbelina Teixeira Basto.

Em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à cidade de Rio Largo, através do Decreto Municipal nº 48 de 15 de setembro de 1934, e editado pelo então prefeito Euclides Afonso de Mello, do Município de Santa Luzia (do qual a cidade de Rio Largo era a sede), foi alterada a denominação da praça Brigadeiro Pitanga  para Praça Comendador Teixeira Basto, reinaugurada no dia 18  de dezembro daquele mesmo ano com a presença do Interventor Osman Loureiro, do prefeito da capital, Edgar de Góes Monteiro e seu ajudante de gabinete, Aurélio Buarque de Holanda (autor do Dicionário Aurélio, naquela época ainda um simples acadêmico), comendador Gustavo Paiva e outras autoridades convidadas especialmente para o evento, tocando na oportunidade a Banda de Musica da Companhia Alagoana.

Dois anos depois, em 23 de abril de 1936, o prefeito de Rio Largo, Euclides Afonso de Mello, inaugurou na mesma praça, o busto do comendador Teixeira Basto. 


Busto na praça da Escola Estadual Francisco Leão


(Ensaio feito por Arnaldo Paiva que foi publicado na revista "Página Aberta").
Arnaldo Paiva é advogado, escritor e romancista, autor do romance Roda-Viva.

Um comentário:

  1. Obrigado por estas informações. Sou um conterrâneo de Cabeceiras de Basto, Braga, Portugal e investigo os cabeceirenses pelo mundo. Mais uma vez, obrigado.

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