terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Democracia a Visão do Administrador - Por Stephen Kanitz

"O que vocês administradores entendem de democracia?", pergunta um professor de Sociologia e Ciência Política, da USP, num jantar.
Uma das verdades escondidas a sete chaves pela academia é que administração é a profissão que mais testou e pesquisou formas inovadoras de democracia.
Ninguém acredita, mas é isto mesmo.
Há mais de 500 anos, já testamos mais de 6 milhões de formas de democracia, contra provavelmente 600 testes em países e seus regimes, estudados por cientistas políticos.
Me refiro as empresas de capital democrático e às várias formas de governância e de regimes eleitorais, que já testamos nas empresas e nas assembleias de acionistas.
É muito triste que a academia em geral não divulgue nossas pesquisas e conclusões aos futuros jornalistas, políticos, sociólogos e cientistas sociais.
Por isto, a maioria dos brasileiros não sabe que nossas empresas estatais somente eram estatais porque negavam o direito de voto aos acionistas preferencialistas, conseguindo o controle operacional com somente 33% ou 17% do capital efetivo da empresa.
E, chamavam isso de "regime democrático de direito".
Acionistas preferencialistas recebem 10% a mais de dividendos em troca do silêncio, o que para nós administradores socialmente responsáveis é uma forma de comprar votos (não votando), e claramente ilegal.
Isto é a democracia do regime militar de 1964, que ainda prevalece na Petrobras, Eletrobras, Vale do Rio Doce, mas não no Banco do Brasil. 
O famoso Contrato Social, atribuído incorretamente a Rousseau, na realidade foi um contrato social estabelecido pelos tripulantes do Mayflower, que chegaram em Plymouth, nos Estados Unidos, e metade se rebelou.
Metade queria continuar, como previsto, para a Virginia. A outra metade se recusou a pegar um barco novamente na vida.
O pessoal de Virginia aceitou ficar para não dividir forças, mas em troca exigiu algumas demandas que se tornou o primeiro contrato social da história.
Para elaborarem esse contrato, usaram o Contrato Social da Cia. da Índias, dona do Mayflower, e que ficava com o capitão.
Até hoje usamos o termo Contrato Social definido na Constituição da empresa, como os diretores serão eleitos, como será a prestação de contas, quem irá auditar as contas, etc.
Tudo isto normalmente é definido na Ata de Constituição da empresa. Dizer que foi Jean Jacques Rousseau que inventou tudo isto, e não vice versa, é faltar com a verdade da história.
 Fonte: Blog Stephen Kanitz

Um comentário:

  1. Um tema maravilhoso e instigante...estudei o contrato social e lidei com ele qndo estagiava, a constituição das empresas é muito interessante e cada passo dado é muito estudado...

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